Sábado, 31 de Agosto de 2013

 

 

Estados de alma do MIAU por Paulo Moreira Lopes com ilustração de Leunam

Índice:

publicado por Paulo Moreira Lopes às 18:18
Quinta-feira, 29 de Agosto de 2013

- Fica-me bem?

- Fica.

- Já vi que não gostas!

 

Faltou-me o adjetivo. Não basta ser sincero. Para ela é preciso ser muito sincero.

 

Vila Nova de Gaia, 25 de agosto de 2013.



publicado por Paulo Moreira Lopes às 22:52
Quinta-feira, 29 de Agosto de 2013

Sempre viemos.

 

Não tem a monumentalidade de Conimbriga, em especial quando comparada com a casa dos repuxos, mas a extensão da cidade dá para compreender o relevo social e económico que a mesma teve.

 

Aqui não existe museu.

 

As peças de valor estão espalhadas pelo Museu Martins Sarmento em Guimarães, no Museu de Vila Nova de Gaia e no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa.

 

O único pavimento em mosaico até agora descoberto (só visível parcialmente) está escondido debaixo da capela de Freixo.

 

Tal como em Conimbriga, o Fórum está virado a sul (sudoeste para ser mais preciso). Em certos momentos temos a sensação dejá vu, que se acentua mais quando contemplamos a paisagem para além do Fórum. Em Conimbriga aquele terminava num precipício acentuado (tinha o sopé no rio dos mouros). Aqui não deu para ter a dimensão exata do declive, mas a sua existência era percetível através do vão que ia do limite da plataforma à face da montanha mais próxima. Em ambos os casos, o espaço amplo e plano, a perder-se de vista (em direção sul), se, por um lado, transmite tranquilidade, por outro eleva-nos por efeito do contraste com a outra montanha, o outro lugar.

 

Mais uma vez tive a consciência da nossa precariedade. Foi um banho de fragilidade, de debilidade. Evitei escrever finitude, por este último ser um termo cruel e implacável, mais condizente com locais associados à morte, tais como cemitérios e urgências de hospitais.

 

Concluindo: por muito que custe a assimilar, o futuro não é sinónimo de progresso, nem de decadência. É sinónimo de incerteza.

 

Freixo (Marco de Canaveses), 25 de agosto de 2013.



publicado por Paulo Moreira Lopes às 20:23
Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

Capital do Algarve.


in Cão Noturno perseguido por Glossário Canino, escreveu Paulo Moreira Lopes, ilustrou Rui Sousa, no prelo.


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publicado por Paulo Moreira Lopes às 23:47
Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

O mesmo que em terra de cegos, quem tem cão é rei.

 

in Cão Noturno perseguido por Glossário Canino, escreveu Paulo Moreira Lopes, ilustrou Rui Sousa, no prelo.


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publicado por Paulo Moreira Lopes às 23:46
Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

 

O RUI Sousa instalou-se em Santo Ildefonso. Natural de Valongo, veio estudar Belas Artes para a grande cidade e aí ficou a viver paredes meias com a faculdade. Está numas das zonas mais típicas do Porto, com uma identidade muito própria e forte, principalmente na zona das Fontainhas. Aquele lugar e as suas gentes influenciam de certa forma o seu trabalho. É só tirar a prova ao artista! 



publicado por Paulo Moreira Lopes às 00:33
Sábado, 24 de Agosto de 2013

- Não estás aqui, Paulo?!

- Não.

- Eu conheço-te tão bem!

 

Às vezes preciso de estar sozinho e saio de casa. Por agora, ela vai conhecendo a minha ausência, mas o caminho para lá chegar ainda não.

 

Vila Nova de Gaia, 24 de agosto de 2013.



publicado por Paulo Moreira Lopes às 21:29
Sábado, 24 de Agosto de 2013

Cão de raça holandesa.[1]

 

in Cão Noturno perseguido por Glossário Canino, escreveu Paulo Moreira Lopes, ilustrou Rui Sousa, no prelo.



[1] Ver poema Dique de Francisco Duarte Mangas e João Pedro Mésseder in Breviário da Água, Editorial Caminho, 2004, página 37.


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publicado por Paulo Moreira Lopes às 21:26
Sábado, 24 de Agosto de 2013

Psicose causada pela abstinência ou suspensão do contacto com cães.

 

in Cão Noturno perseguido por Glossário Canino, escreveu Paulo Moreira Lopes, ilustrou Rui Sousa, no prelo.


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publicado por Paulo Moreira Lopes às 21:23
Sexta-feira, 23 de Agosto de 2013

Ele era o seu filho mais amado. O desejado. Sua mulher lho dera como recompensa pela espera. E chegara a hora do sacrifício. Era assim! Ninguém questionava. Ninguém ousava desviar-se da tradição. Dele todos esperavam que fizesse o mesmo. O sacrifício! Iria viver como morto os restos dos dias que lhe sobravam. Tinha de ser! Dividido, entre o presente e o passado, subiu a montanha com o filho a seu lado deixando para trás o povo ansioso. Lá no cimo, quando lhe pegou no braço, o menino reagiu incrédulo, piedoso. Tinha pressentido o fim e ali se despedia do pai, que ficaria com os outros. Seria assim? Então o homem abraçou a criança, deu-lhe um beijo profundo na testa e disse-lhe para ir à sua vida. A seguir desceu ao povoado. Os outros esperavam-no com a raiva nos olhos e a justiça nas mãos. O que seria agora deles? Como reagiria deus? Além disso, até àquela data, todos os pais tinham sacrificado os seus primogénitos. Ele não, porquê? Se discordava, por que não o disse? Não respondeu. O amor não se comparava: era o que vinha pensando ultimamente. Enfrentou-os, corpo a corpo, mas por estar sozinho (a mulher ficara em casa à espera da notícia da sua morte) foi incapaz de os vencer. Morreu às mãos deles. Foi o sacrificado. Isaac, que partira em sentido contrário ao da sua aldeia, nunca esqueceria o amor do Pai.

 

Vila Nova de Gaia, 22 de agosto de 2013.



publicado por Paulo Moreira Lopes às 23:17
São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.
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