Sexta-feira, 14 de Abril de 2017

Mil anos que eles ficassem

imóves nem mesmo assim

os teus pés ganhariam raízes

 

Por Jorge Sousa Braga in O poeta nu, Os pés, Assírio & Alvim, 2.ª edição 2014, página 96.

 

*

 

São duzentas mulheres. Cantam não sei que mágoa
Que se debruça e já nem mostra o rosto.
Cantam, plantadas n'água,
Ao sol e à monda neste mês de Agosto.

Cantam o Norte e o Sul duma só vez,
Cantam baixo, e parece
Que na raiz humana dos seus pés
Qualquer coisa apodrece.

 

Por Miguel Torga



publicado por Paulo Moreira Lopes às 20:16
São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.
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