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Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

01.Jan.12

Uma vasta e deserta paisagem, Kjell Askildsen

 

OS CONTOS: Li-os todos. No início de cada conto começava sempre com a esperança de que algo de surpreendente acontecesse. Esperava o relato de uma história excecional, bem construída e com um final inesperado e inteligente. Mas não. São narrativas muito misteriosas e cheias de segundas e terceiras intenções (algumas repugnantes[1]). Para cúmulo não há um momento conclusivo no sentido próprio do termo.

 

Parece que não aprendi nada e que não compensou o tempo despendido.

 

O LIVRO: Muito bonito. A ilustração da capa é excelente. O tamanho perfeito. Um bom motivo (se calhar o único?) para adquiri-lo.

 

 

 

O AUTOR: Bastaria atentar na fotografia do autor para se antever algo de sinistro e tenebroso. Os lábios cerrados, ainda assim, deixam escapar um fiozinho de sarcasmo, o bastante para nos acordar para a dura realidade dos dias (um susto?). Um rosto onde habita a infelicidade, parente próxima da maldade.

 

Paulo Moreira Lopes

 

Vila Nova de Gaia, 1 de Janeiro de 2012

 

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VENTOS DO NORTE: Conheço mal a literatura nórdica – confesso que nem a trilogia Millenium li, não só por falta de tempo, mas porque, como não sou grande apreciadora de policiais e thrillers, mesmo quando me dizem que são excelentes, acabo por preferir uma ficção mais literária. Em todo o caso, penso que Portugal está mal fornecido de literatura nórdica, provavelmente pela dificuldade em arranjar tradutores, mas recentemente apareceram alguns livros interessantes. Um deles é, seguramente, a colectânea de contos do norueguês Kjell Askildsen – mestre da narrativa breve, segundo anuncia a badana – intitulada Uma Vasta e Deserta Paisagem. Enquanto a lia, não pude deixar de pensar naquele misto de contenção e contundência que perpassa os diálogos de Bergman e, mesmo que a Noruega e a Suécia sejam países muito diferentes, a verdade é que reconheci nestes contos uma espécie de alma do Norte – simultaneamente seca e desarmante – que conhecia dos filmes do realizador sueco. Este é um livro de histórias de gente só, de relações condenadas ao fracasso, de pequenas tragédias pessoais contadas com humor negro q.b. e uma simplicidade e subtileza invejáveis. O livro recebeu o Prémio da Crítica na Noruega.

 

Maria do Rosário Pedreira

 

http://horasextraordinarias.blogs.sapo.pt/, 2 de Janeiro de 2012

 



[1]Agora compreendo a atitude do pai do autor quando queimou em público uma obra do filho.