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Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

14.Jan.12

José Saramago (1922-2010) e Jorge de Sena (1919-1978)

  

  José Saramago (1922-2010)

 

Li em 2002/2003 o conto "Super flumina Babylonis de Jorge de Sena (Ficções, n.º 5, 2002, pág. 71 a 87). Li de um só fôlego. Foi uma leitura estonteante, inebriante, arrebatadora. Parecia que o texto tinha sido escrito de uma só vez, sem interrupções.[1]

 

Cheguei ao fim e tive a nítida sensação de déjà vu. Pensei melhor e reconheci aquele estilo, aquele ritmo, aquela sucessão de imagens no "Memorial do Convento” de José Saramago.

 

Fiz uma pequena investigação e descobri que José Saramago admirava muito a obra de Jorge de Sena, existindo, até, correspondência a comprovar esse facto.

 

Aquele conto é de 1964 (Araraquara, 27 de Março de 1964) e terá sido publicado, no máximo, em 1978, in Antigas e Novas Andanças do Demónio.

 

Por isso, hoje, ainda acredito que o estilo de José Saramago tenha sido influenciado pela obra de Jorge de Sena.

 

 
 Jorge de Sena (1919-1978)


[1] Muito tempo depois de escrever estas notas (21-06-2010) descobri, por mero acaso, este texto de Mécia Sena: “Leio num diário teu: Escrevi, até às 4 da manhã, um conto: ‘Super Flumina…’ que não esperava.” Ficaras “escrevendo pela noite adiante”, tal como o terminas. Que aconteceu depois quando te deitaste? Adormeceste com o livro aberto sobre o peito e eu to fechei, tirei-te os óculos e antes de apagar a luz te ouvi um “obrigado” pouco mais que ciciado? Ou não adormeceste e nos possuímos como se tivéssemos acabado de sofrer todas as dores do mundo? Ou apenas ajustámos os nossos corpos em ansiosa ternura, numa oferta de repouso mútuo?” in Correspondência(S) MÉCIA / JORGE DE SENA (EVOCAÇÃO DE CARRAZEDA, anos 1940), GUIMARÃES, Universidade do Minho – Instituto de Ciências Sociais, Núcleo de Estudos de População e Sociedade (NEPS), 2007, de Maria Otília Pereira Lage, página 112. Confirma-se, assim, a escrita "sem interrupções".

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