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Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

09.Jul.13

O sulco

 

Caminhávamos à beira mar. Ao longe avistamos um homem com a mão esquerda aberta no ar e a direita a segurar um cabo preso a um trator. Fazia-nos sinal para pararmos. Depois o homem olhou para o mar, nós seguimos o seu olhar e foi aí que nos apercebemos do motivo da operação stop. Um barco de pesca navegava em direção a terra. Vinha lançado. Ao fender as águas formava uma ruga espumosa atrás de si. Até que deixou a água e fendeu a areia, mas não o suficiente para atingir a crista da praia. Logo atuou o homem de há pouco, que engatou o cabo numa argola presa à quilha da embarcação. Aí o barco deslizou, forçado, praia acima e deixou atrás de si um rego ladeado por areia comprimida.

 

Até ser desfeita pelos pés dos transeuntes ou pelas ondas, estava ali desenhado no chão uma palavra. Eu não podia ignorar aquela palavra. Ela entrava por mim adentro e ocupava todo o meu espaço consciente. Era a figura que se auto nomeava e imperativamente se afirmava: eu sou o sulco!

 

Por mais que eu quisesse não a podia afastar da minha frente. Era tão forte e convencida que me obrigou a convocar todos os textos (poesia ou prosa) que havia lido e em que a mesma aparecia, para comigo serem testemunhas da sua presença.

 

Foi, por isso, com hesitação que a enfrentei[1]. Aliás, no momento de a cruzar fui incapaz de a calcar. Dei (demos) um salto para o outro lado da areia oprimida e assim evitei (evitamos), com sucesso, sulcar a palavra sulco.

 

Armação de Pêra (Silves), 29 de junho de 2013.



[1] Ninguém reparou, pois foram todos ver o resultado da pescaria.

07.Jul.13

Beija-Flor

 

A Raquel e a Susana são naturais de Oliveira de Azeméis e estudaram sempre no distrito de Aveiro. Ambas licenciadas em Design, vieram para cá à procura da sua realização profissional. Como escape ao trabalho do dia-a-dia criaram o projeto Beija-flor onde controlam tudo, desde o processo de produção, à venda e à distribuição. Um sucesso surpreendente. Só possível aqui no Porto, acrescentamos nós.

02.Jul.13

Jorge Neto

 

O Jorge Neto foi-se fazendo nas associações e movimentos desportivos, culturais e sociais de Valongo. É um valonguense de gema e disso tem muito orgulho. Tal como sucedeu a muitos outros residentes naquele e noutros subúrbios, acabou por ser atraído pelo grande centro urbano que é o Porto. A sua visão atual do mundo, quem sabe idealista, vem desta convivência urbana. A não perder num cinema perto de si.

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