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Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

04.Ago.13

Arma de arremesso


O sol estava a pique e atravessava a pala de acrílico como se nada fosse. Implacável. O jogo estava muito previsível. Enfadonho. O intervalo foi, por isso, uma benção.

 

Eu, o rapaz, o primo e o padrinho fomos ao bar refrescar as gargantas e aproveitar a sombra que passeava no corredor por detrás dos camarotes.

 

Comprei duas garrafas de água sem gás e naturais. A funcionária, antes de as entregar, retirou-lhes as tampas e guardou-as, fornecendo-as já abertas.

 

Surpreendido com a situação, questionei a vendedora sobre o motivo da remoção das tampas. A resposta saiu disparada[1], tal e qual uma arma de arremesso:

 

- São as ordens que tenho!

 

Fiquei na mesma, mas não insisti, pois a fila atrás de mim ia crescendo e a sede, não só a minha, era muita.

 

Fomos então os quatro beber cada um a sua água, passear um pouco ao longo do corredor e despejar as garrafas inofensivas no caixote do lixo[2].

 

Pedroso (V. N. de Gaia), 3 de agosto de 2013.



[1] Também podia ter escrito disparatada.

[2] Agora que acabo de escrever o texto é que me questiono se os caixotes de lixo estariam ou não presos ao pavimento. No próximo jogo vou tirar as dúvidas.

02.Ago.13

Vai chover!

(Edição de P2 de 28-07-2013[1])

 

Era domingo de manhã. Saí de casa para ler o jornal. Antes, despedi-me dela. Quando estava para entrar na caixa de escadas ela abre a porta de repelão e diz-me:

 

- Vai chover!

 

Dito daquela forma defetiva e impessoal, a afirmação suou-me a imposição, pelo que respondi do mesmo modo:


- Vai tu!

 

Cá fora o tempo estava cinzento, a ameaçar chuva, mas mesmo assim, aguentei-me à viva força e não chovi.

 

Vila Nova de Gaia, 28 de julho de 2013.



[1] No quiosque comprei o PÚBLICO (já não comprava há meses), por causa do P2, onde trazia um artigo inspirador: “Casamentos de uma vida inteira”, com ou sem chuva, pensei.

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