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Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

15.Set.13

Senhora Rita Lee

 

- Pai, por que é que estás sempre a ouvir essa senhora?

 

Ele chamou senhora à Rita Lee. Soou-me tão mal! Se ao menos tivesse dito: rapariga, garota, mulher, cantora, artista ou rainha do rock em língua portuguesa. Também podia ter-lhe chamado Emília (do Sítio do Pica-Pau Amarelo)[1]. Agora senhora?!



[1] Ver entrevista ao GNT (24:20).

14.Set.13

Diálogos conjugais IV

- Estranho! A rapariga da padaria está sempre a sorrir para mim.

- É normal! Conhece-te. Foi nossa noiva no CPM.

- Estranho! Não me lembro dela.

  

Os nossos últimos testemunhos têm sido sobre “Diálogo e gestos de amor”. Será que a nossa história conjugal motiva assim tantos sorrisos?

 

Vila Nova de Gaia, 14 de setembro de 2013.

14.Set.13

Nuno Valentim

 

O Nuno Valentim tem um percurso académico e profissional centrado no Porto, com um pequeno desvio por Veneza. Não lhe é possível dissociar a sua vida desta cidade. Por isso, a sua obra situa-se sobretudo no Porto, incidindo em grande parte sobre edificado preexistente da cidade consolidada. Um arquitecto para o século XXI. 

08.Set.13

As cadeiras de Siza


Já não vínhamos aqui há mais de quatro anos. Da última vez, eramos cinco, hoje somos quatro e o rapaz já me olha olhos nos olhos.


No exterior e no interior o reboco está sujo, mas a beleza mantém-se, mais no interior para ser sincero.


Dentro, a luminosidade morna é relaxante e convida à reflexão, ao contrário de certos templos em que a penumbra, às vezes próxima da escuridão (exemplo da Sé de Braga, igreja da Lapa e dos Congregados no Porto), é intimidatória.

 

As paredes e tecto lisos, sem imagens, forçam à introspeção.

 

Mas o melhor de tudo são as cadeiras, em oposição aos tradicionais bancos pesados[1] e longos, em que nunca sabemos se pode caber ainda mais uma pessoa. Aqui cada um tem a sua cadeira. A cor crua da madeira, a elegância e a fragilidade das pernas e encosto, obrigam-nos a tratar bem delas, a ter cuidado com elas. Durante a cerimónia nunca nos esquecemos delas, pois são vários os momentos em que nos levantamos e nos sentamos, e não podemos correr o risco de nos sentarmos mal. Estamos, assim, a modos de um olho no celebrante e outro na cadeira, não vá o diabo tecê-las.

 

Fiquei junto à janela, a única ao nível do nosso olhar. Confesso que aquele rasgo para o mundo me distraiu, logo eu que sou tão dado às contemplações de serras e vales (é mais forte do que eu).

 

Em resumo: vimos uma obra do género humano que é de génio[2].

 

Fornos (Marco de Canaveses), 1 de setembro de 2013.



[1] O cúmulo da aberração deste tipo de bancos encontra-se na igreja de Santo Ovídeo, em Vila Nova de Gaia, aliás todo o edifício é disforme e agreste. O que salva o templo é a tapeçaria de Fernando Lanhas.

[2] Foi classificada como monumento de interesse público passando a ter direito a uma Zona Especial de Proteção.