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Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

08.Jun.14

PALAVRAS VIVAS: apresentação

Palavras VivasAs palavras são muito ciosas do seu significado. Quem lhes tira o significado tira-lhes tudo. E ficam muito zangadas quando o deturpam (estragam ou trocam-no por outro) ou, pior ainda, quando se esquecem dele. Por isso, meteram mãos à obra e fizerem uma campanha promocional muito simples e sem recurso a outras palavras (fica mais barato). Resultado: transfiguraram-se no seu significado. As ideias são de Paulo Moreira Lopes e a animação de Hélder Miranda.

02.Jun.14

Autismo

Há quem queira banir do léxico do linguajar comum dos nossos comentadores, deputados, autarcas, governantes o uso dos termos "autista" ou "autismo".

 

Ver aqui e aqui.

 

Dizem os defensores daquele apelo (só apelo, por enquanto) que «não é aceitável o recurso a um termo de caracterização médica para categorizar a política. Ofende pessoas doentes, pessoas diferentes e as suas famílias. Um autista é uma pessoa com qualidades próprias que não a torna inferior a mais ninguém».

 

De acordo com Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, autismo é um termo medicinal e define o estado mental caracterizado pela tendência a alhear-se do mundo exterior e ensimesmar-se.

 

Creio que os políticos, comentadores e o público em geral não usam o termo no seu sentido pejorativo, e que consistira em qualificar outrem como doente, ou dizendo de outo modo, diferente das pessoas normais.

 

Sinceramente, não creio. É minha convicção que todos usam o termo, eu incluído, para definir alguém que não enfrenta a realidade, que não quer ver a verdade dos factos.

 

Quando Álvaro Vasconcelos escreve que “A União (Europeia) não se pode construir sem os europeus, numa espécie de autismo vanguardista.”, para um declaratário normal (incluindo autistas e familiares), não é intenção do autor ofender as pessoas portadoras daquelas características (sentido medicinal).

 

Resultado: temos, por um lado, as pessoas que não contactam diretamente com o mundo do autismo, para as quais o uso do termo autista ou autismo não tem qualquer sentido pejorativo [nem sequer pensaram nele (dolo eventual?)] e, por outro, os “doentes” e as suas famílias para quem aquelas palavras estão associadas à diferença e ao sofrimento.

 

Para estas últimas os termos carregam consigo um significado tão negativo que devia ser banido, mesmo admitindo que o mesmo contém outros significados neutros.

 

Levando este meu entendimento ao exagero, quer dizer que para certas pessoas o significante, ou seja, a parte física da palavra que se manifesta por sinais gráficos ou sons, deveria, ela própria, ser banida, extinta do mundo, quem sabe se na esperança de que o significado (a outra realidade) também desaparecesse.

 

Reconheço que o assunto é muito delicado, sendo muito compreensível a posição das pessoas que sofrem de modo direto ou indireto os efeitos desta diferença, mas tenho dúvidas quanto à legitimidade e à eficácia do apelo em banir aquelas palavras (significantes). Tenho dúvidas.

 

Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto, Vila Nova de Gaia, 30 de maio de 2014.

 

§

 

Nem de propósito. A não perder a entrevista de Josef Schovanec que diz, de si, Je suis à L’Est!.

 

Vila Nova de Gaia, 8 de junho de 2014.

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