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Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

21.Dez.14

O Leproso por PML

As pessoas que se cruzavam com Julião suspeitavam que tivesse lepra, por isso evitavam estar com ele. Para confirmar o seu estado de saúde, Julião foi ao médico que lhe garantiu que padecia daquela doença fatal. Perante a doença e o desprezo da população, passou a sentir ódio por todos. Como vingança tomou banho em azeite que depois o vendeu a um comerciante da terra. Sem o saberem, as pessoas consumiram o azeite. Quando descobriram, perseguiram-no até o queimarem vivo.

 

Sinopse do conto de Miguel Torga O Leproso, publicado in Novos Contos da Montanha, 10.ª edição de autor, Coimbra 1981, páginas 65 a 82.

 

Vila Nova de Gaia, 21 de dezembro de 2014.

20.Dez.14

Comprimidos literários sem risco de sobredosagem

logo_A_BULAQue a poesia pode curar, já muitos leitores o sabem. O que muitos desconhecem é a existência de uma despretensiosa publicação mensal publicada no Porto que adota o nome e o formato das bulas médicas. Com uma nuance importante: em vez de indicações médicas, encontramos… poemas e ilustrações.

 

Um conceito original que, número após número, tem visto o seu número de seguidores crescer.

 

Em entrevista, o editor d’A BulaPaulo Moreira Lopes, explica a origem da publicação e a sua forma de funcionamento.

 

Por Sérgio Almeida

 

 

20.Dez.14

A BULA de Dezembro

A BULA DEZEMBRO 2014

E o final do ano chegou. As tardes tornaram-se mais frias ao deitar e as manhãs mais pesadas ao levantar. Qualquer raio de sol é sempre bem-vindo, quer para nós humanos, quer para o restante mundo animal e vegetal. Porém estas mudanças de temperatura súbitas fragilizam-nos. Sugerimos, à cautela, a toma de três comprimidos literários preparados por Óscar Possacos, em que um deles é alusivo ao Natal. A ilustração é de Rui Sousa. O titular daAutorização de Introdução no Mercado e Fabricante d’A BULA é o Correio do Porto, tendo esta sido aprovada pela última vez no dia 30 de novembro de 2014.

 

Para fazer download basta clicar na imagem.

 

Ver criação d’ A BULA  aqui.

14.Dez.14

O Sésamo por PML

Raúl era um contador de histórias. De entre as histórias que contou houve uma que o Rodrigo, um pastor com dez anos, ficou muito impressionado e convencido da sua veracidade: Ali Babá e os Quarenta Ladrões. Logo que pôde, dirigiu-se à serra onde pastoreava o gado e tentou fazer como Ali Babá gritando: Abre-te, Monte da Forca! Só que nada aconteceu. Ele ficou muito triste e desiludido. Mas nem teve tempo para pensar mais no assunto, pois tinha acabado de nascer um cordeiro.

 

Sinopse do conto de Miguel Torga O Sésamo, publicado in Novos Contos da Montanha, 10.ª edição de autor, Coimbra 1981, páginas 101 a 108.

 

Vila Nova de Gaia, 14 de dezembro de 2014.

14.Dez.14

Expresso: quem te viu e quem te vê!

Semanário ExpressoJá há muito anos que não compro o semanário Expresso. O que não quer dizer que não o leia quando o encontre nos locais que frequento enquanto jornal da casa.

 

Voltei a lê-lo, diria melhor a começar a lê-lo, ontem. Mas não consegui ir além de meia dúzia de páginas. Não tem nada de atraente. É o design gráfico, é o tamanho, os conteúdos, tudo parece velho, recesso, fora de moda.

 

Quem te viu e quem te vê!

 

Vila Nova de Gaia, 14 de dezembro de 2014.

12.Dez.14

Destinos por PML

Natália era uma rapariga bonita e muito jovial. Um dia pôs-se a conversar com um rapaz muito tímido dando-lhe a entender que gostava dele. Ele, por sua vez, ficou a gostar dela. De modo muito discreto passaram a falar-se. Mas ele não era capaz de propor casamento à Natália. Até que ela lhe disse que outro rapaz lhe tinha pedido namoro. Para tristeza dela, ele não reagiu. Então ela decidiu namorar e casar com o outro.

 

Sinopse do conto de Miguel Torga Destinos, publicado in Novos Contos da Montanha, 10.ª edição de autor, Coimbra 1981, páginas 83 a 89.

 

Vila Nova de Gaia, 12 de dezembro de 2014.

12.Dez.14

A Rua da Estrada de Álvaro Domingues

Rua da Estrada de Álvaro DominguesPara Álvaro Domingues, a estrada e tudo que a ela se pode referenciar, não se podem decifrar como quem lê um texto linear e estruturado. A estrada é um hipertexto em construção contínua (cfr: página 145).

 

Por isso, o autor dispõe-se a ajudar-nos a ler aquele hipertexto.

 

A imaginação do autor é diretamente proporcional à fantasia que margina (em alguns casos ocupa) a rua da estrada. Os factos retratados (retrato + tratado) são tão caricatos, absurdos, que a linguagem, para concorrer com os mesmos, é o mais metafórica possível.

 

Em resumo: é um livro de e sobre metalinguagem estradal.

 

Imperdível: a casa atropelada[1] (página 46) e a casa com piercing (cfr: página 55).

 

Novidade: eu pensava que a “Casa da Trofa” correspondia à “Casa dos Venezuelanos”. Ou será que a “Casa da Trofa” é a “Casa dos Venezuelanos” copiada e divulgada pelo Gabinete Técnico da Trofa (cfr: página 40)?

 

Omissão: não se abordou o Portugal convexo.

 

Proposta: falta acrescentar a noção de estrada ratada. É a estrada que, sendo demorada e sub-repticiamente ocupada nas suas margens (às vezes atinge a plataforma) por equipamentos (móveis e imóveis), acaba por se desvalorizar (como a moeda na idade média), de tal modo que é decidido construir uma Variante. Então passamos a ter: a rua da estrada ratada (as mais das vezes de sentido único) e a Avenida da Variante (cfr: página 157).

 

Vila Nova de Gaia, 12 de dezembro de 2014.

 

[1] Será que foi atropelada por um camião cheio de coincidências, má vontade, lapsos e aselhice?

11.Dez.14

O Lopo por PML

O Lopo disputava em tribunal a posse de uma mina contra um vizinho. Quando soube que perdeu a acção ficou profundamente perturbado e decidiu fazer justiça pelas próprias mãos. Matou o vizinho e fugiu para o estrangeiro.

 

Sinopse do conto de Miguel Torga O Lopo, publicado in Novos Contos da Montanha, 10.ª edição de autor, Coimbra 1981, páginas 91 a 99.

 

Vila Nova de Gaia, 11 de dezembro de 2014.

10.Dez.14

Repouso por PML

Joaquim Lomba era um homem calado e muito violento. Sempre que alguém lhe fazia frente ele reagia e matava sem piedade. Chegou a confessar-se sem mostrar arrependimento. Todos tinham medo dele. Um dia, numa festa (Senhora da Boa-Morte), andou a desafiar várias pessoas, à espera que alguma reagisse, mas ninguém se atreveu a tal, a não ser um garoto de nove anos que não lhe obedeceu (não lhe deu o que ele lhe pedira). Sentindo-se humilhado o Lomba suicidou-se.

 

 

Sinopse do conto de Miguel Torga Repouso, publicado in Novos Contos da Montanha, 10.ª edição de autor, Coimbra 1981, páginas 43 a 51.

 

Vila Nova de Gaia, 10 de dezembro de 2014.

 

 

09.Dez.14

O pastor Gabriel por PML

O pastor Gabriel era muito admirado por todos no lugar onde vivia, pois as ovelhas do seu rebanho obedeciam-lhe cegamente. Aquela obediência tinha um objetivo: como no Verão o pasto rareava, o pastor levava as ovelhas a pastorear durante a noite nos campos de cultivo da aldeia, o que obrigava a que aquelas fossem muito silenciosas. Já com as pessoas o pastor era muito distante, pouco dado a intimidades e de modos grosseiros. O que não se alterou quando conheceu a sua mulher.

 

Sinopse do conto de Miguel Torga O pastor Gabriel, publicado in Novos Contos da Montanha, 10.ª edição de autor, Coimbra 1981, páginas 37 a 41.

 

Vila Nova de Gaia, 9 de dezembro de 2014.