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Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

11.Set.12

O apaga portas

 

 

As coisas são como são. E para mim, até há bem pouco tempo, duas das portas cá de casa eram duas coisas que rangiam. Chiavam, direi melhor.


Um dia, já saturado daquele gemido, no regresso a casa saí na saída seguinte à habitual e comprei um spray para lubrificar as dobradiças das portas.


Na companhia do rapaz (há coisas só de homens!) aplicamos o spray, alternadamente, eu numa porta, ele noutra.


No final, abrimos e fechamos ambas as portas sem qualquer ruído. O produto tinha cumprido uma das cinco funções anunciadas na frente da lata. Guardei-a na despensa e nunca mais pensei no assunto.


Nunca mais pensei no assunto até ao momento em que comecei a servir-me das portas e deixei de as ouvir. Ora, como tinha dito anteriormente, para mim, aquelas portas eram duas coisas que rangiam. Passando ao estado de mudas, as portas já não eram portas, tinham deixado de existir.


Afinal eu tinha comprado, não um produto que elimina ruídos, mas que apaga portas.


Vila Nova de Gaia, 11 de setembro de 2012.

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