Domingo, 07 de Outubro de 2012

 

Enquanto eles se entretinham no Cantinho do Adro, na Rua Direita, eu entrei na igreja matriz.

 

A porta do lado esquerdo estava aberta e, ao contrário do habitual, entrei por ela. Dentro do templo o silêncio era absoluto, como era absoluta a ausência humana. Perante aquele vazio ia a perguntar:

 

- Está aí alguém?

 

Mas não sei como e porquê, outra vontade superior a mim se interpôs e mantive-me calado. Sentei-me a contemplar a presença do sagrado.

 

Eles chegaram, ajoelharam-se e, sem O convocarem em voz alta, puseram-se a falar com Ele.

 

À saída (outra vez pela porta do lado esquerdo de quem entra) ao relembrar aquela vontade reprimida fiquei surpreendido com a minha tendência natural para o sacrilégio.

 

Melgaço, 5 de outubro de 2012.



publicado por Paulo Moreira Lopes às 00:36
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São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.
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