Domingo, 14 de Outubro de 2012

A minha companheira fincara as duas mãos em cima do parapeito, prescrutando o abismo com uma indiferença de esfinge desempregada. Depois, afastou as mãos um pouco, ligeiramente soerguidas, como se percorresse um teclado. A cidade assemelhava-se a um enorme piano, obscuramente entreaberto sob o tampo da noite.

 

David Mourão-Ferreira in As quatro estações, Editorial Presença, 6.ª edição, página 39.



publicado por Paulo Moreira Lopes às 13:59
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São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.
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