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Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

24.Fev.13

Conto estrelas em ti… Teresa Guedes

 

 

Vivia-se o ano de 2002 quando descobri Teresa Guedes. Não posso precisar como a conheci. Suponho que através da obra “Em Branco” (Editorial Caminho, Livros do Dia e da Noite).

 

A descoberta não se ficou por aí.

 

Foi uma verdadeira paixão literária. Ainda me lembro da sofreguidão com que procurava os seus livros, o alimento do meu encanto. Recordo, em especial, a pesquisa dos textos de pedagogia de escrita criativa e de como o funcionário da Almedina, na rua de Ceuta, os basculhava nos fundos do piso inferior.

 

É que ler aqueles livros tinha de ser naquele dia. Amanhã, eu pressentia-o, era sempre longe demais[1]. Muito longe.

 

A sofreguidão foi-se saciando com os poemas que me mandava, digo, publicava. Entretanto, a nossa relação passou a ser mais tranquila, mais serena.

 

Até que a notícia chegou.

 

Num dia de Primavera do ano de 2008, quando visitava a Feira do Livro no Palácio de Cristal com o Leunam, cruzei-me com José António Gomes (ou com João Pedro Mésseder? não posso precisar) e aproveitei para o questionar sobre vários assuntos. No final soube da morte da Teresa ocorrida no dia 25 de Setembro de 2007 (aqui, final, significa interrupção forçada pela tristeza, pois não havia condições para prosseguir).

 

Entretanto, disse adeus à tristeza, disse até sempre. Era tempo de viver. Hoje relembro-a e volto a devorar os seus sonhos que também são meus.


[1] Parte de um verso da canção dos Rádio Macau: Amanha é sempre longe de mais.