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Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

10.Nov.10

Um tesouro sobre rodas

 

Àquela hora chegar a casa é um tirinho.

 

Enquanto a maioria via o telejornal, nós circulávamos na A1 sem dificuldades e congestionamentos.

 

A dada altura, entre o km 300 e o 299, o trânsito começa a abrandar. Talvez fosse algum condutor menos habilidoso a embaraçar aquela fluidez. Entre os habituais fura filas e a lentidão forçada lá fomos esperando o próximo desvio.

 

Por coincidência, o dito empecilho também seguia a nossa direção.

 

Pronto! Não havia nada a fazer. Era só ter paciência, pois dentro em breve o percurso terminaria.

 

Foi no momento em que nos aproximávamos do "desmancha-prazeres” que soubemos a explicação daquela condução tão cautelosa.

 

No interior, ele ia à frente e ela atrás muito atenta ao bebé deitado na cadeirinha.

 

Para onde fossem iriam sempre assim. A cuidar do seu tesouro.

 

Aquele condutor, contrariamente ao inicialmente pensado por nós, seguia de modo que, atendendo à carga transportada, pudesse, em condições de segurança, fazer parar o veículo no espaço livre e visível à sua frente (cfr: artigo 24.º do Código da Estrada).

 

Agora, com a estrada toda livre à nossa frente, deixamos de ter pressa e pusemo-nos a pensar no tesouro que nos aguardava lá em casa.

 

20 de Junho de 2010


Publicado in Histórias mal contadas