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Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

15.Mai.13

A Geira Romana

 

Depois da Rota dos Romeiros (Fafe) fiz, enquanto romano (nickname), o Trilho da Geira Romana, entre Santa Cruz e Covide (Terras de Bouro[1]).

 

NOTAS SOBRE A CAMINHADA:


Água: a jorros, quando recolhida e encaminhada por obra do homem (aquedutos). A rir, se escorria naturalmente pela encosta e encontrava pelo caminho pedras que lhe faziam cócegas. De onde em onde, parecia que a terra chorava, não era suficiente para formar um curso de água, mas dava para refrescar a alma. Talvez por isso, em certos momentos era bastante percetível o murmúrio da terra.

 

Orientação solar: todo o percurso foi feito do lado da encosta virada a norte. Daí a vegetação mais densa, com mais sombras que facilitavam a caminhada durante um dia soalheiro.

 

Fauna: vimos duas ou três vacas castanhas no cimo do monte (muito acima da Geira), vários garranos e um potro, um milhafre, metade de uma cobra (a parte da cauda) e um sardão verde estático[2].

 

Flora: muitos carvalhos, giestas, fetos e urze, esta última, especialmente na encosta oposta à Geira.

 

Kitsch: vimos um portão em chapa, enorme (alto e comprido), de acesso a uma moradia (quinta), delimitada por rede malha-sol. A casa estava revestida a granito amarelo lavrado. Foi o momento kitsch da jornada, à atenção de Álvaro Domingues.

 

Curva da eira: o restabelecimento das energias ocorreu no café Eiras (Covide). Com um olho na comitiva e outro no trânsito, pois a todo o momento algum veículo (mais tratores) ainda entrava pela esplanada adentro (já tinha entrada na mercearia contígua, segundo fonte fidedigna).

 

Veiga de Cima de Covide: quando chegamos ao sopé da encosta, ao deslumbrar aquelas leiras extensas e lavradas, surgiu-me, espontaneamente, sem qualquer esforço da memória[3], a ideia de classificar o lugar como uma veiga. Mais tarde, ao vaguear na net, confirmei que os naturais de Covide assim designam aquele sítio.


Terras de Bouro, 11 de maio de 2013.

[1] No dia 6 de maio foi publicado o Decreto n.º 5/2013, que procede à ampliação da área classificada dos marcos miliários da Via Romana XVIII e à redenominação do sítio classificado, no concelho de Terras de Bouro, distrito de Braga.

[2] Como aquele tinha ficado parado, por instantes, espantado com a comitiva, pude apreciar o verde intenso do reptil, ao contrário dos outros sardões que até então tinha visto a correr, que eram de um verde fugidio, antónimo do verde estático.

[3] Talvez tenha relembrado a veiga de Chaves ou a Várzea da Rainha.

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