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Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

Histórias mal contadas

São factos do quotidiano, aparentemente sem qualquer importância, aos quais o autor dá a relevância do absoluto, do todo. É a sua obra-prima, sem prejuízo de outro entendimento.

15.Jun.13

Onde pára a estrada?

 

 

Sim, porque a estrada também se move. Ela caminha por planícies, vales e encostas. Para contornar as montanhas, segue aos esses, pondo um pé[1] aqui e outro acolá e levantando a crista[2] nos pontos mais altos. E, quando necessário, ganha asas[3] e voa sobre rios, ribeiros, pântanos e até sobre vilas e cidades[4]. Outras vezes, quando está cansada da viagem, espraia-se debaixo das árvores[5]. De tempos a tempos, debruça-se sobre a paisagem e contempla maravilhada o horizonte[6]. Quem dá vida a este ser somos todos nós: através da aquisição da propriedade por via de direito privado, por expropriação amigável ou então por força[7] da expropriação litigiosa. Em resumo, a estrada não pára em parte nenhuma, e mesmo que digam que não tem saída, ela salta para o interior da nossa imaginação.


Vila Nova de Gaia, 14 de junho de 2013.



[1] O limite do terreno do Estado, nos casos de taludes em aterro, presume-se situar no pé destes.

[2] Quando a construção da estrada implica a existência de taludes de escavação, aquele limite localiza-se na crista dos mesmos.

[3] Em forma de pilares.

[4] O pássaro assemelhar-se-á a um viaduto e uma das cidades sobre a qual sobrevoa (voo rasante) é a de Valongo.

[5] Corresponde aos parques de repouso.

[6] São os miradouros, os quais não servem só para mirar o rio Douro (EN 108 e EN 222).

[7] A palavra, aqui, é aplicada com propriedade, ou seja, é à força.