Curto tempo de espaço
A minha mãe dizia: vai num pé e volta no outro. Eu lançava-me pela rua abaixo com uma bolina que até andava de lado nas curvas. Podia cortar a direito, mas preferia contornar a estrada e desafiar a gravidade. Nunca me espalhei, nem nunca me perdi em conversas com os amigos. Num curto espaço de tempo chegava ao Escoiral (era um curto tempo de espaço, visto hoje), entrava na loja e esperava pela minha vez. Ficava a descansar. Com o balcão pelos olhos, fazia o pedido e depois agarrava no embrulho e saía disparado. A minha mãe exclamava: chegaste rápido! bem sabendo que eu nunca tinha saído da beira dela.
